Entre os dias 18 e 21 de agosto, o Centro Educacional Pioneiro realizou o VII Encontro de Boas Práticas Pedagógicas, reunindo, ao longo de quatro dias, educadores de diferentes segmentos e áreas da escola, além de profissionais de instituições públicas e privadas convidadas, em momentos de formação, compartilhamento e reflexão sobre o cotidiano pedagógico.
Em sua sétima edição, o encontro reafirmou a importância de criar espaços em que os profissionais possam compartilhar experiências, apresentar projetos, discutir desafios e aprender uns com os outros. Afinal, muito do conhecimento produzido na escola nasce justamente da prática: da observação atenta dos alunos, das escolhas feitas no planejamento, das experiências desenvolvidas em sala de aula e das reflexões que surgem ao longo do caminho.
Inteligência Artificial abre a programação
A programação teve início no dia 18 de agosto, com uma abertura presencial dedicada a um dos temas mais presentes nos debates educacionais da atualidade: “Boas Práticas com e sobre Inteligência Artificial no contexto escolar”.
Para essa conversa, o Pioneiro recebeu as pesquisadoras Helena Mendonça e Priscila Gonsales, referências na área de Educação Digital. Juntas, elas promoveram uma reflexão sobre os letramentos críticos relacionados à Inteligência Artificial, abordando possibilidades, desafios e caminhos para uma integração ética e significativa dessa tecnologia na Educação Básica.
Nos três dias seguintes, o encontro continuou em formato on-line, com apresentações de práticas desenvolvidas por profissionais da Educação Infantil ao Ensino Médio, passando também pela Educação Especial, pela EJA e pelos Cursos Extras.
Diferentes práticas, múltiplas possibilidades de aprendizagem
No dia 19, os participantes acompanharam sete apresentações que revelaram a diversidade de experiências desenvolvidas nas escolas.
Vinicius da Matta, com os coautores Paulo Dias e Elissa Varro, abriu a programação com Luz, Máscaras e Sombras: Diálogos Teatrais entre Culturas, uma prática desenvolvida no Ensino Fundamental Anos Finais.
Na sequência, Leandro de Lima e Silva Merenciano apresentou Como se constrói o acesso à aprendizagem do público da Educação Especial nos anos iniciais?, trazendo reflexões sobre os caminhos para garantir a aprendizagem dos estudantes.
Representando o Ensino Médio, Guilherme Vanuchi compartilhou As Caixas Pretas e a Construção do Pensamento Científico. Depois, Isabella Mayor apresentou Inventando soluções: Desenvolvimento de protótipos usando máquinas simples, experiência desenvolvida com o Ensino Fundamental Anos Finais.
A Educação Infantil esteve presente com Olhares, mediações e possibilidades: o acompanhamento de uma criança no contexto escolar, apresentado por Anna Beatriz Oliveira, em coautoria com Manuelly dos Santos.
Na sequência, Andréa Aparecida Miranda Andolpho Silva, com as coautoras Silvia Tartuce Gois e Adriana Baccine, apresentou A aprendizagem de Ciências com projetos, compartilhando uma experiência desenvolvida no Ensino Fundamental Anos Iniciais.
Encerrando as apresentações da noite, Eliane Ornellas Cardeira, com os coautores Ana Gilda Leocádio e Rodrigo Shimizu, apresentou o 1º Concurso de Cartas Antirracistas da Diretoria Regional de Educação de Santo Amaro, iniciativa que envolveu diferentes profissionais e segmentos ligados à rede municipal de São Paulo.
Autonomia, natureza e documentação pedagógica
No dia 20, novas experiências foram compartilhadas, passando por estudos do meio, Educação Especial, organização dos ambientes de aprendizagem, cultura, natureza e metodologias ativas.
Vinícius da Matta apresentou o Álbum de Figurinhas do Estudo do Meio de Itatiaia 2026, desenvolvido em parceria com Iara Rosa da Silva Bustos, Silvia Yamazaki, Izilda Makibara, Isabella Mayor, Leonardo Soares, Gabriel Oliveira, Celise Correia, Maurício Caires e Cibelle do Nascimento.
Na Educação Especial, Leandro de Lima e Silva Merenciano apresentou Mercadinho: desenvolvendo habilidades matemáticas na prática com o público da Educação Especial, explorando situações do cotidiano como oportunidades de aprendizagem.
A organização dos espaços e sua relação com a autonomia das crianças foi tema de Ambientes de aprendizagem e autonomia: a organização do espaço na perspectiva das pedagogias participativas, apresentado por Isai Leiner Hartvite, em coautoria com Jéssica Maria de Campos Matsumoto, ambas professoras da rede municial de São Bernardo do Campo.
Na sequência, Vinicius Moura da Matta, com a coautoria de Elisa Varro, apresentou Manguebeat Caiçara e o Homem Caranguejo, enquanto Bianca Duarte e Paula Mantoan, com a coautoria de Renata Minucci, compartilharam a experiência Criança e Natureza.
A programação também trouxe uma reflexão sobre os registros e os processos de aprendizagem na primeira infância. Jéssica Maria de Campos Matsumoto, com Isai Leiner Hartvite como coautor, apresentou A potência da Documentação Pedagógica na escola das Infâncias.
Encerrando a noite, Leandro de Lima e Silva Merenciano apresentou Como o ensino do xadrez favorece a aprendizagem por meio das metodologias ativas?, mostrando possibilidades de aprendizagem também nos Cursos Extras.
Linguagens, interdisciplinaridade e tecnologia
No último dia do encontro, 21 de agosto, as apresentações percorreram diferentes linguagens, áreas do conhecimento e etapas da Educação Básica.
Representando a Educação Infantil, Anna Karolina Leal Russo, com os coautores Vitória Carolina Cordeiro Cardoso de Oliveira e Leonardo Lacerda, apresentou Janelas: Olhar para dentro, para o outro e para o mundo.
No Ensino Fundamental Anos Iniciais, Rosana Cabral compartilhou Pequenos escritores e o Ser Fantástico. Mais adiante, apresentou também Comunidades tradicionais do Brasil – As quatro estações, com as coautoras Luciana Magno, Sandra e Simone.
A interdisciplinaridade esteve presente em Aprendizagem Interdisciplinar no PETAR com o Uso do KoboCollect: Integrando Ciências, Geografia e Matemática, apresentada por Carolina Puccini, com os coautores Alexandre Rodrigues, Cintia Kiguti e Dalva Conde.
O diálogo entre literatura e formação também ganhou espaço com Da leitura à escuta: percursos formativos a partir da obra Os da minha rua, de Ondjaki, apresentado por Diogo Nascimento.
Nas apresentações finais, Patrícia Takahashi Lopes compartilhou O físico computacional: resolvendo o mundo através da física, aproximando diferentes áreas do conhecimento. Encerrando a programação, Andrés Calonge Méndez e Patrícia Takahashi Lopes apresentaram Uso da IA NotebookLM no Itinerário Formativo Alimentação e Sociedade, retomando, a partir de uma experiência prática, alguns dos debates sobre tecnologia e Inteligência Artificial que marcaram a abertura do encontro.
Ao final de cada noite, os momentos destinados a comentários e perguntas ampliaram a troca entre os participantes e permitiram que as experiências apresentadas continuassem gerando reflexões.
Aprender com a própria comunidade educativa
O Encontro de Boas Práticas valoriza um aspecto essencial da formação continuada: a aprendizagem entre pares.
Quando um educador compartilha uma experiência, ele não apresenta apenas um resultado final. Compartilha também percursos, escolhas, dúvidas, desafios e descobertas que podem inspirar novos caminhos para outros profissionais.
Ao mesmo tempo, quem acompanha uma apresentação tem a oportunidade de conhecer realidades e práticas que acontecem em outros segmentos ou espaços da própria escola, ou em diferentes contextos sociais e econômicos. Esse diálogo amplia repertórios e contribui para uma compreensão mais integrada da Educação, aproximando profissionais que atuam em diferentes etapas da trajetória escolar.
A abertura dedicada à Inteligência Artificial e a diversidade de experiências apresentadas ao longo dos quatro dias também evidenciaram uma escola atenta às transformações do mundo, sem deixar de olhar para aquilo que está no centro de sua atuação: as pessoas, as relações e os processos de aprendizagem.
Em sua sétima edição, o Encontro de Boas Práticas reafirma, assim, o compromisso do Pioneiro com a formação permanente de sua equipe e com uma cultura de colaboração. Um momento para compartilhar o que já fazemos, refletir sobre o que podemos aprimorar e descobrir, juntos, novas possibilidades para a Educação.