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“Tudo começa com o tentar”: Camila compartilha sua experiência rumo ao Pre-College em Harvard

27 de maio de 2026

 

Entre aplicações internacionais, olimpíadas, escotismo, projetos científicos e muitas descobertas pelo caminho, a aluna Camila, do Terceirão do Centro Educacional Pioneiro, embarcará em breve para uma experiência acadêmica nos Estados Unidos: um curso Pre-College na Universidade de Harvard.

Na conversa abaixo, ela fala sobre o processo seletivo, o interesse por engenharia ambiental, os aprendizados construídos ao longo da trajetória escolar e a importância de continuar tentando — mesmo quando o resultado parece incerto.

Pioneiro: Conta pra gente um pouquinho sobre o programa que você vai fazer. Como ele funciona?
Camila: O Pre-College é um programa para estudantes do Ensino Médio que simula a experiência de uma universidade americana. Você mora no campus, fica nos dormitórios, come no refeitório e participa da rotina universitária.

O curso dura cerca de duas semanas, mas eles comprimem praticamente um semestre de conteúdo nesse período. Além das aulas, também existem várias atividades complementares, como palestras, workshops, visitas pela cidade, clubes e rodas de conversa.

Acho que a ideia principal é justamente viver essa experiência universitária de forma completa.

Pioneiro: E como você descobriu esse programa?
Camila: Meu pai fez um curso em Harvard no ano passado e acabou descobrindo que várias universidades oferecem programas de verão para estudantes.

Eu e meus pais já estávamos pensando em intercâmbio, mas como meu inglês avançou mais rápido do que a gente esperava, queríamos algo mais desafiador e enriquecedor do que um intercâmbio tradicional.

Pioneiro: Como foi o processo de application?
Camila: Foi longo! (risos) Tem muita burocracia, muitos documentos, traduções… e tudo funciona de forma bem diferente entre Brasil e Estados Unidos.

A parte principal foram quatro redações em inglês, no estilo das applications de universidades americanas. E eu gostei muito disso, porque eles realmente querem entender quem você é, sua trajetória, suas experiências e sua individualidade. 

Achei isso muito interessante, porque é um processo que te faz refletir bastante sobre você mesma.

Pioneiro: O que você acredita que fez diferença na sua aprovação?
Camila: Acho que foi um conjunto de tudo o que construí ao longo do tempo — não só academicamente. Eles valorizam muito atividades extracurriculares, trabalho voluntário, projetos, experiências fora da sala de aula… e eu sempre gostei muito de experimentar coisas diferentes.

Participei de olimpíadas, projetos científicos, escotismo, estágios, ações sociais… mas nada disso foi feito “pensando na aplicação”. Foram coisas que eu fiz porque realmente me interessavam.

Pioneiro: Você escolheu um curso ligado à engenharia ambiental, certo?
Camila: Sim! O curso chama The Chemistry of Human Earth e conversa bastante com meu interesse por engenharia ambiental. Eu comecei a me interessar mais pela área no Ensino Médio e até fiz um estágio em Salvador para conhecer melhor o trabalho. O que eu gosto nessa área é justamente o fato de ela conectar muitas coisas diferentes. Você mistura química, biologia, meio ambiente, sociedade… e olha para sistemas maiores.

A gente vive em uma cidade como São Paulo e muitas vezes toma coisas como água e saneamento como garantidas, mas existe toda uma estrutura gigantesca por trás disso. É uma área essencial e muito interessante.

Pioneiro: Você pensa em fazer faculdade fora do Brasil?
Camila: Hoje eu penso em fazer faculdade aqui. Já considerei estudar fora, principalmente no nono ano e no primeiro do Ensino Médio, mas percebi que, pra mim, estar perto da família e da minha rede de apoio é muito importante.

E também existe uma vontade de contribuir aqui no Brasil. Apesar dos problemas, eu ainda tenho esperança de ajudar a tornar o país um lugar melhor.

Pioneiro: E o Pioneiro? Como a escola contribuiu para sua trajetória?
Camila: Acho que o maior diferencial do Pioneiro é olhar o aluno como indivíduo, não só como número. Os professores conhecem os alunos pelo nome, acompanham a trajetória de cada um, entendem os interesses das pessoas. Isso fez muita diferença pra mim.

Também tive professores que me incentivaram muito academicamente. Em Matemática, por exemplo, eu sempre recebia materiais extras, indicações, conceitos além do conteúdo da aula. Outros professores me ajudaram a pensar carreira, projetos e escolhas futuras. E muitos professores já vieram conversar comigo só para perguntar se eu estava bem. Isso faz muita diferença.

Mas, mais do que isso, o Pioneiro sempre incentivou muito a curiosidade.

Pioneiro: Você consegue identificar algum momento marcante da sua trajetória na escola?
Camila: Acho que os projetos científicos e a Equipe de Ajuda foram muito importantes.

No 7º ano entrei para a Equipe de Ajuda e isso abriu muito meus olhos para questões sociais e humanas. Aprendi a perceber quando alguém não está bem, a ouvir sem tentar resolver tudo, a estar mais atenta aos outros. Isso foi muito importante para minha formação.

Também participei do Mecha-se, um projeto ligado à ciência, inovação e protagonismo feminino, com a professora Márcia, e acho que foi ali que nasceu muito dessa vontade de explorar coisas novas.

O principal aprendizado foi entender que tudo começa com o tentar. Muitas vezes eu realmente achei que não conseguiria passar em alguma olimpíada, projeto ou até nesse curso. Mas, se eu não tivesse tentado, nada disso teria acontecido.

Pioneiro: E como é sua rotina de estudos hoje?
Camila: Bem puxada. Eu não sou aquela pessoa super organizada, que senta e estuda de forma perfeitamente planejada. Eu procrastino bastante. (risos)

Mas tento sempre fazer as tarefas, revisar o que errei e pesquisar quando fico com dúvidas. Pra mim, o mais importante é não deixar os “buracos” acumularem.

Pioneiro: E que conselho você daria para outros alunos?
Camila: Tentar.

Fazer algo novo dá medo. Estudar uma matéria difícil dá medo. Falar com pessoas novas dá medo. Mas, se você não tenta, você não aprende. Você precisa errar para crescer. Muitas das coisas que conquistei vieram justamente de tentar sem ter certeza de que daria certo.

Você precisa se permitir errar, improvisar e ser resiliente. Acho que isso é uma das coisas mais importantes. 

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