Mechas-se: Entrevista com Carolina Puccini

10 de junho de 2022

No último sábado (4), aconteceu o evento de abertura do coletivo Mechas-se, criado para alunas do Pioneiro para promover vivências e refletir sobre as desigualdades de gênero no campo da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática através de oficinas e dinâmicas. Foram convidadas alunas do 6° ano do Ensino Fundamental II ao 3° ano do Ensino Médio e, este ano, foram 24 inscritas!

No encontro presencial, as alunas participaram de uma oficina de defesa pessoal com André Zanatta, que criou oportunidades para que praticassem golpes de ataque, posicionamento de defesa e esquiva. Num segundo momento, elas puderam conversar com Nicole Aun, fundadora do Movimento Atreva-se, que levou relatos de “desprincesamento” de dois contos da Disney: “A Bela e a Fera” e “A Branca de Neve”. O encontro do coletivo Mechas-se terminou num clima de conversa alegre, registrando ideias e refletindo sobre como construir os encontros deste ano, ao mesmo tempo em que aproveitavam para lanchar. Essa dinâmica de alimentar o corpo e, ao mesmo tempo, a mente, é conhecida como World Café.

As professoras Marcia Sacay, Carolina Puccini, Elisabete Feitosa, Isabella Mayor, Ana Luiza Zanchetta e Fernanda Bocchi são as responsáveis pelo Mechas-se em 2022, que conta também com o apoio da coordenação e direção da escola. 

Nesta entrevista, Carolina Puccini, professora de Ciências e Inovadoria, conta como nasceu o projeto, seus objetivos, o que já conseguiram alcançar e quais os próximos passos. Confira!

“Para esse ano, queremos que o coletivo Mechas-se seja o espaço para que as alunas compartilhem o que querem aprender, conversar, contar sobre sentimentos, discutir o que as deixam insatisfeitas ou bravas e transformar tudo isso em ações potentes.”

Professora Carolina Puccini

Pioneiro – O que é o Mechas-se?
Carolina Puccini – O Mechas-se é um projeto voltado para meninas e adolescentes da escola, com o  objetivo inicial de proporcionar maior contato delas com as áreas de Ciência, Tecnologia, Matemática e Engenharia, onde o reconhecimento, valorização e quantidade de mulheres é muito reduzido quando comparado aos homens. 

Nos encontros do ano passado, foram oferecidas oficinas mão na massa alternadas com discussões relacionadas a questões sociais, como a desigualdade de gênero, racismo e pobreza menstrual e apresentamos e conhecemos muitas mulheres artistas, cientistas, da área da Tecnologia Educacional, da engenharia e de outras áreas, proporcionando muitas descobertas.

Professora Carolina Puccini

Pioneiro – Como surgiu a ideia para o projeto? Como foi o processo de implementação?
Carolina Puccini – A ideia foi da Marcia Sacay, coordenadora e professora de Ciências e Inovadoria do Pioneiro. No ano de 2021 participamos, juntamente com as alunas, de um evento online de STEM voltado para meninas. Ao final dessa vivência, sentimos que seria muito importante fazer algo nesta linha para nossas alunas, mais personalizado e com mais tempo para fazer oficinas e abordar temas de relevância social. 

Na fase de implementação, tivemos a participação de outras professoras e professores que colocaram muito a mão na massa e contribuíram com ideias criativas para elaborar os encontros. 

Para que tudo isso fosse possível, aconteciam semanalmente reuniões de planejamento para elaboração das propostas de oficinas, da estrutura e avaliação dos encontros, além de alinhar expectativas de todos e todas. 

Pioneiro – Qual a importância de ter um projeto como o Mechas-se na escola?
Carolina Puccini – Acredito que reconhecer que vivemos em uma sociedade em que a desigualdade de gênero ainda é muito presente é um primeiro passo para propor mudanças e ações, tanto fora dos muros da escola como também dentro, pois sabemos que essas questões fazem parte do cotidiano das meninas e das adolescentes. Entender e se posicionar sobre essa temática é muito importante para que elas lutem pelos seus direitos e de outras mulheres com espírito de coletividade.

Pioneiro – Teremos alguma mudança este ano, em relação ao ano passado?
Carolina Puccini – Sim, várias mudanças. Esse ano os encontros serão presenciais e ocorrerão às terças-feiras durante o primeiro intervalo tanto no período da manhã quanto no da tarde. Serão encontros curtinhos, de 20 minutos, na biblioteca, no Lab Explorer ou no HUB, que vão variar de acordo com as temáticas propostas.

O Mechas-se é um coletivo feminino para promover Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática para as meninas

A princípio pensamos em propor temas mensais de forma aberta, livre, co-criando com elas as atividades. Entretanto, relatos e reflexões do dia da abertura vão nos levar a algumas mudanças de rota. 

Conversar, interagir e pensar em ações relacionadas a criação de ambientes mais leves e equitativos em relação à identidade e igualdade de gênero se mostraram pertinentes e presentes no grupo.

Novas e outras ideias, desejos e necessidades como a realização de campanhas dentro e fora da escola promovidas pelo coletivo serão bem vindas. O importante é que as participantes possam vivenciar o ambiente da escola de forma ativa e com protagonismo. 

Pioneiro – Gostaria que comentasse o encontro de abertura! As meninas se envolveram, ficaram animadas? Surgiram muitas ideias? 
Carolina Puccini – No encontro de abertura, tivemos uma oficina de defesa pessoal com André Zanatta em que as participantes puderam vivenciar algumas estratégias simples para se proteger de um agressor. 

Depois tivemos uma conversa muito descontraída e importante com Nicole Aun, do Movimento Atreva-se. Ela fez uma análise das problemáticas presentes por trás das histórias de princesas dos contos de fadas, relacionando com o modo como as mulheres são vistas e o papel que se espera delas na sociedade. Foi surpreendente, causou perplexidade mas principalmente criou uma atmosfera de muita troca e confiança entre as meninas, as professoras e a Nicole. 

Para finalizar o encontro, durante o lanche no Lab Explorer, as meninas compartilharam os pontos mais marcantes da palestra e começaram a discutir e construir juntas os próximos encontros do coletivo Mechas-se.  

Pioneiro – Qual o balanço que você faz do projeto do ano passado? Acredita que impactou as meninas envolvidas? O que pode ser melhorado?
Carolina Puccini – A meu ver foi muito importante e desafiador. Num momento de pandemia, implantar esse projeto totalmente inédito e sem precedentes no Pio, com encontros remotos, deu um frio na barriga. Um balanço de final de ano, depois de constatar a manutenção do número de participantes ao longo dos 4 meses, foi significativo e nos indicou que existe uma necessidade de um espaço para os encontros de meninas e adolescentes do Pio.

Alunas participam de oficina de defesa pessoal

As meninas criaram uma campanha de doação de absorventes – Menstru_ação – mobilizaram toda a escola, as famílias, levando para dentro das salas de aula a discussão sobre a pobreza menstrual, um problema social e de saúde pública enfrentado por muitas mulheres e pessoas que menstruam. Então, acredito sim que houve um impacto positivo para o crescimento de todos, não apenas das participantes do coletivo Mechas-se. 

Para esse ano, queremos que o coletivo Mechas-se seja o espaço para que as alunas compartilhem o que querem aprender, conversar, contar sobre sentimentos, discutir o que as deixam insatisfeitas ou bravas e transformar tudo isso em ações potentes, coletivas dentro e fora da escola. A equipe Mechas-se estará presente para apoiar no que for necessário, mas queremos elas como protagonistas. 

Pioneiro – Pensa em alguma novidade para os próximos anos? Há planos para atuação fora da escola?
Carolina Puccini – Acho que essa é uma pergunta que as nossas alunas poderão responder melhor nos próximos meses, já que esse ano serão elas as responsáveis por desenhar o coletivo Mechas-se. 

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